Escolher um disco é sempre uma tarefa extremamente difícil, quer seja para escrever ou falar sobre o mesmo, quer seja para simplesmente deixar a tocar numa dessas novas plataformas digitais. No entanto, e depois de alguma ponderação, consegui finalmente chegar ao disco de que quero falar. 

Lembro-me de andar no secundário em Barcelos e de ter comigo uma daquelas peças ancestrais apelidadas de mp3, onde, devido ao reduzido espaço de armazenamento, era obrigado a escolher religiosamente as músicas que mais gostava e que iriam fazer a minha banda sonora, pelo menos durante um par de semanas. 

No meio de alguns Led Zeppelins, Black Sabbath, Doors e outros mais, estava um tema chamado “AMESTERDÃO” daquela banda de Braga chamada Mão Morta. Aquele riff repetitivo e os simples solos de guitarra que vão aparecendo no meio das pausas da voz, despertaram em mim um enorme prazer e gosto em ouvir um banda portuguesa. Até então, as bandas portuguesas que ouvia eram todas de Barcelos e o facto de os Mão Morta serem de Braga – que é ali ao lado, mas que na altura parecia longe- e de ser uma banda “Grande”, fez com que eu acreditasse ser possível 
ter um som sujo e ainda assim ter algum sucesso a um nível nacional. 

Até então, o meu interesse por música portuguesa estava apenas focado naquilo que acontecia em Barcelos. Antes de os Mão Morta aparecerem no meu MP3, para mim, música portuguesa era apenas música de Barcelos. Estava errado. E o MUTANTES S.21 ajudou a virar a minha atenção para o que estava certo.

Ao fim das tais duas semanas onde supostamente deveria mudar as músicas que estavam no MP3, por alguma razão, essa foi sempre ficando e acabou por aguentar o ano todo. 

Obrigado aos Mão Morta,

“HAVE BIG FUN”