Nuno Dias é considerado uma figura emblemática da nossa internet. Esta presença é carinhosamente marcada por Mike El Nite na sua participação na música “Meio Crocodilo” dos Conjunto Corona, onde se pode escutar a merecida homenagem: “E tu dirias que eu não sou do rap? / Segue-me no snap, boy / Eu sou da Internet como o Nuno Dias”. Fez, em conjunto com o nosso Pedro Paulos e Fernando Alvim, o “Obrigado, Internet” na Antena 3, é um dos criadores da famosa página “Azar do Kralj” e um DJ impressionante em nome próprio. Para além disso, é uma das caras da Popstock Portugal e tem agora um podcast só com música relacionada com futebol, o Umbabarauma. Pedimos-lhe que destacasse um disco nacional e ele partilhou connosco as suas melhores memórias.

A minha primeira memória de um disco em português é o “Palavras ao Vento” dos Resistência, cassete que me foi oferecida pelos meus pais no início dos anos 90.

Na altura, através de um pequeno rádio da Sony que tinha, ouvia muita Rádio Cidade e gravava músicas soltas em mixtapes que incluíam Nirvana, 4 Non Blondes e outras coisas que não lembram ao menino Jesus. No entanto, entre as cassetes com discos de Nirvana, Pearl Jam, Bush, Offspring ou Mata-Ratos, houve um que me marcou pelo número de vezes que ouvi durante o meu secundário. Foi o “Iniciação A Uma Vida Banal: O Manual” dos Da Weasel, banda que recentemente anunciou um regresso aos concertos em 2020 e que provocou taquicardias em muita gente da minha geração (e não só).

Se, até então, a única música que sabia toda na ponta da língua era a básica “A Minha Sogra É um Boi”, dos Mata-Ratos, com esse disco comecei a decorar as letras de fio a pavio.

Embora o hip-hop que ouvia naquela altura passasse essencialmente por Gabriel, o Pensador, o decorar as letras da banda portuguesa ajudou a perceber um pouco da consciência e da mensagem do Pacman. Enfim, gosto tanto do disco que hoje em dia passo “O Puro” em alguns dos meus sets. É mesmo assim. Respeito.