Nascida no início dos anos 90, são muitas as vezes em que fico à toa com referências que são feitas tanto em conversas da equipa do Brandos como em alguns episódios. Aliando isso ao facto de sentir que tudo antes da minha adolescência é algo nublado, e à minha preferência de sempre pelos desenhos em relação às palavras, escrever este texto revelou-se um desafio. 

Mas, e depois de o confirmar com a minha progenitora – cantigas da escola à parte – quem me introduziu à música portuguesa foi a minha avó materna com o seu pequeno rádio. Entre alguns programas de música pedida, havia umas quantas cassetes e CDs que rodavam pelo menos uma vez por dia. Claro que na altura não percebia muito das músicas e, confesso que a maioria me soava igual. Mas via a emoção na cara da minha avó que as cantava entre dentes. Era o “Júlio Iglesias português”, dizia ela. Para nós, Marco Paulo. 

Os anos foram passando e só na adolescência comecei a descobrir música portuguesa que realmente entendia (julgava eu) e que cantava com a mesma emoção com que a minha avó cantava um “Maravilhoso Coração, maravilhoso”.  

No entanto, todos os encontros com Marco Paulo aconteciam apenas quando fazia companhia à minha avó naquele pátio com sombra e flores.  

Mal sabia eu que, passados uns quantos anos, o voltaria a encontrar desta vez por entre luzes quentes e garrafas de cerveja. Percebi que sabia mais músicas dele de cor do que alguma vez imaginei e que as podia cantar abraçada aos meus amigos. Certamente a nossa emoção não vinha do mesmo lugar que a da minha avó (*cof cof*), mas ambas são memórias que guardo com muito carinho.