A atriz é, sem dúvida, uma visão do futuro da ficção nacional. Até há pouco tempo estava com A.N.T.I.G.O.N.A. no Teatro Nacional São João e fez uma participação no filme “Ordem Moral” que está ainda nos Cinemas. Agora encontra-se em ensaios para “Os Princípios do Novo Homem” que estreia dia 29 de Outubro no teatro da Malaposta.

Foi mais ou menos em 2011, que no auge da minha adolescência, sintonizei em casa a Star FM: descobri o Daniel Bacelar por causa dessa belíssima estação de rádio. Para ser mais específica, foi por causa da Star FM que descobri o seu quinto EP, esse que tanto fez acelerar o meu coração. Um disco de 1965, acompanhado pelos “Gentleman”, e dono da canção “Miudita”, a grande culpada da minha paixão por Bacelar. Quando ela tocava no rádio, fazia-me acreditar que aquelas eram frequências divinas, e que a canção era mesmo dirigida a mim. – A melodia ficava presa na cabeça por horas, não podia mais ignorar aquela música e fui em busca do seu intérprete. 

Recordo-me do agradável impacto, quando vi a cara de Bacelar nas minhas buscas da internet. Nas fotografias de capa dos seus discos, ele pousava com expressões que podiam lembrar Johnny Cash, mas também Ricky Nelson. Foi por aí que se deu a descoberta do maravilhoso mundo, do álbum de “Miudita”, que estava rodeada de canções como “Se eu enlouquecer” ou “Deixa-me só”.

Mas deixem-me voltar à canção que me fez chegar aqui: a história da paixoneta não correspondida, de uma miúda, que apesar de ele lhe dizer que ela é “bem bonita e de encantos sem fim”, nada disso foi suficiente, porque ela é ainda, ora adivinhem…muito miudita. Aqueles acordes dançantes punham-me sempre a imaginar grandes festas nos anos sessenta, e de como na verdade gostava de ter passado por elas, como gostava de ter girado saias, e de ter batido o pé ao som do nosso roque enrole. 

Acho que isto de trabalhar desde tão cedo no teatro, inevitavelmente agitou-me uma constante criação de outras realidades, personagens e cenários, que a música sempre soube incendiar tão bem. A música faz a imaginação ampliar-se, e na altura ter encontrado um dos reis do rock n’ roll português, também.