É com grande orgulho e surpresa que podemos dizer que muitos discos da colecção da Polygram estão a aterrar nas plataformas de streaming e estão disponíveis para audição de todos. Hoje para nós é como se fosse Natal. Estes discos, que têm sido descobertos por amantes de música como nós, tornam-se agora muito mais acessível a todos. Discos que não são fáceis de encontrar e, alguns deles, cada vez mais procurados. O nosso obrigado à Universal Music, que detêm o catálogo.

Para celebrar este acontecimento, vamos destacar alguns dos discos que podemos encontrar por aqui.

Kriskopke – La Nuit Americaine

Ela foi a nossa primeira entrevistada de sempre e também foi também o disco que motivou a criação deste podcast. Cristiana Kopke pode não ser um nome reconhecido da música portuguesa, mas foi sem dúvida importante enquanto por lá andou. Meu deus, ouçam isto já!

Ópera Nova – Sonhos

Mais uma carreira curta, mais um disco maravilhoso. Tal como Kriskopke, foram expressões máximas da música sintetizada da altura. Luís Beethoven, vocalista da banda no maxi-LP “Sonhos”, também já foi entrevistado do nosso podcast e contou-nos a obsessão da banda pela vanguarda, que saiu um pouco frustrada por imposições da editora. O que sabemos é que o que o resultado é mesmo… um sonho.

Xokmaiô – Um Show na Broadway

Um disco misterioso que reflete a alma perdida do disco em português. Como é tradição por cá, temos um coro a cantar. A aeróbica estava na moda nos anos 80 e se era esta música que se ouvia, percebe-se porquê. Uma música com uma linha de baixo mortífera e com produção de alguns dos grandes produtores portugueses: Tozé Brito, António Avelar de Pinho e Ramón Galarza (que faz o arranjo).

Clemente – Cartas de Amor

Conhecemos o Clemente sobretudo da canção “Vais Partir” (sim, naquela estrada), mas no princípio dos anos 80 encontramos um Clemente novo (literalmente) que parecia acreditar que a música para dançar não significava apenas “música de baile”. Esta música tem estado das noites de Brandos Costumes DJ, sempre que o ritmo da festa o permitiam. Para dançar aos saltinhos.

Cocktail – Cocktail

Onde andava a Ágata antes de ficar conhecida? Já era conhecida, apesar de muita gente se ter esquecido disso. As Cocktail eram concorrência das Cocktail… mas eram da mesma editora e partilhavam produtor: Tozé Brito. Elas tinham uma estética menos moderna que as Doce, mas têm músicas muito boas, como esta “O Que Passou, Passou”. Infelizmente, o segundo disco não está para escuta porque foi lançado por outra editora.

C.T.T. – Oito Encomendas

O “Boom do Rock Português” deu-nos bandas muito estabelecidas mas ainda mais que não chegaram ao seu fim. Os C.T.T. vão pelo seu nome completo nas plataformas de streaming: Conjunto Típico Torreense. Apesar da marca deste disco não se sentir hoje em dia, não deixa de ser um disco muito interessante, marcado pelo som típico da época.

Sarabanda – Export

Kriskopke e Armando Gama foram os Sarabanda. Este disco é metade em inglês e português e, segundo a própria, reflete muito os gostos deles da altura, particularmente uma fixação pelos Simon & Garfunkel. A banda durou pouco tempo, mas deixou para trás participações no Festival da Canção, as letras belíssimas da Cristiana e algumas músicas que agora podemos ouvir.

Sérgio e Madi – A não ser

Os enigmáticos Sérgio (Wonder) & Madi ainda não têm praticamente nenhuns dos seus discos (maioritariamente singles) nas plataformas. Mas esta já nos faz sonhar um pouco mais com esse dia. Eram mestres nas sonoridades funk e disco e merecem o nosso maior respeito.

Afonsinhos do Condado – No Parque Mayer

Nas noites do Brandos Costumes, esta música fazia sempre surgir a pergunta: “O que é isto?”. Esta canção, para além de deliciosa, é um autêntico mapa de onde se saía há noite em Lisboa no final dos anos 80. O Gimba já conversou com o Brandos Costumes sobre esta mítica banda, numa entrevista que iremos recuperar esta semana.

Estas são algumas das coisas que por lá encontrámos. Esperemos que em breve consigamos ouvir muito mais do que aconteceu na nossa música, para que a história não fique esquecida. A música portuguesa sempre teve qualidade, e merece ser ouvida por todos nós. Podem também descobrir muito mais, por lugares como a Fonoteca Municipal do Porto, vale a pena. Agora vamos ouvir tudo!